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“Maria Mar” de Luz Henriques
" Reflexos de um profundo sentir. Testemunhos de um profundo viver. Pedaços de si que nos falam de querer, de uma vontade imensa, de um desejo transbordante, de uma vida cheia e rica em experiências.
Intimidades que ganham expressão, formas que ganham côr, imaginação que ganha contornos de uma gritante irreverência, para depois explodirem em momentos que se tornam únicos. E que ficam para nós pela mão, pela criatividade, pela beleza e espontaneidade da menina feita pintora, da artista feita mulher. Na permanente descoberta, na revelada evolução.
Desenhadora de ideias que vêm nas asas do vento, gestos de um forte expressar, de uma energia que lhe vai dentro e que não quer controlar. Num permanente esvoaçar.
Imaginemo-la simples, descalça perante a arte, divagando por telas e tintas das quais se tornou escrava, pelas quais ficou eterna. Mulher amante das cores, embrulhada em pensamentos, atravessada pelo turbilhão do viver, de alma pura e sentir carnal.
Embriagada pela descoberta, explorando caminhos só dela, devorando corpos, pintando paixões, traçando passados, respirando o presente, permanecendo no futuro. Que agarra com as mãos a vida, que nos envolve em cada sentido transportado para as obras que por si falam e respiram.
Atrevimentos que se querem de todos, mas que são dela. Diálogos que se exploram no silêncio, mas que se fazem ouvir. Vidas que lhe pertencem, mas que também são nossas. "
Antonio Barroso Cruz
Assim seja, MARIA…MAR!
Luz Henriques (1958) faz um tributo à terra que a viu nascer – Câmara de Lobos – Ilha da Madeira. A residir no Funchal, a artista plástica “regressa a casa”, dando ênfase ao que o concelho camaralobense tem de mais genuíno – a PESCA. Maria Mar, a exposição apresentada ao público na Casa da Cultura de Câmara de Lobos, insere-se nas Comemorações do Dia do Concelho (16 de Outubro de 2005) e surgiu da simbiose entre a linguagem plástica e a faina piscatória.
Pescadores Armadores: JOÃO ALEXANDRE e JOÃO ALBERTO DE JESUS; Pescadores: JOÃO DE ABREU; JOÃO LUIS DA SILVA; JOÃO NORBERTO DE FREITAS; JOÃO RODRIGUES
“Foi então definida a data para o dia 2 e 3 de Julho com saída no cais de Câmara de Lobos pelas 8.30 horas da manhã e regresso ás 10.30 do dia seguinte.
Na data prevista, compareceram todos os elementos da tripulação… a localização da captura do peixe-espada preto foi definido pelos armadores em função das correntes marítimas…”
Para este trabalho, Luz Henriques desenvolveu um projecto peculiar, que implicou a (con)vivência de dois dias passados no mar... Da partilha (vivida na embarcação Maria Floripes), ficou a experiência das imagens; histórias de vida; contextos e símbolos; fruto do «diálogo» entre sete pescadores e a artista, acompanhados por um fotógrafo – Alma Mollemans (Holanda, 1973) e de Alzirino Henriques (captação de vídeo). O investimento da edilidade municipal por parte do Serviço de Cultura, Bibliotecas, Museus e Arquivo, permitirá enriquecer o espólio documental sobre a faina piscatória - um filme Pesca do Peixe-espada (Julho2005) e fotografias recolhidas in loco - a serem exibidos em paralelo à exposição.
Pouco mais que uma década, passada da sua estreia (em 1993), a artista tem concretizado inúmeras exposições que vão desde a concepção de tapeçarias, pintura e cerâmica. A pintura terá talvez maior visibilidade no trabalho desenvolvido nos últimos anos. Sendo maior a intenção, daquilo que «pinta» e que é intrínseco a cada exposição. Actualmente, nesta sua premissa com Câmara de Lobos, a artista deixa-se embevecer pela técnica da cerâmica, com a mesma dedicação e rigor com que revê os gestos dos pescadores.
A pesca do peixe-espada (na sua especificidade local) foi preponderante na estrutura e criação de elementos plásticos da instalação apresentada, bem como dos painéis de cerâmica concebidos. O catálogo exibe imagens de situações geradas pela artista a cerca do faseamento processual do seu trabalho, bem como da «encenação» e registo de cenários encontrados no ambiente piscatório.
O que nos propõe Luz Henriques é uma homenagem à sua terra, aos homens PESCADORES (no seu SENTIR), da «devoção» destes, pela sua família pelas suas MULHERES… em terra! Assim seja, MARIA…MAR!
Luz Henriques, conforme excerto do Relatório sobre a «saída» para o mar – 02 de Julho de 2005.
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